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Seu Plano desviou? Ótimo! Vamos aproveitar!

Seu plano desviou? Ótimo. Talvez isso seja exatamente o que sua estratégia precisava.

Em muitas organizações, ainda existe uma confusão perigosa entre estratégia, execução e esforço. Crescer, inovar ou “fazer melhor” não é estratégia — é desejo.

Como Michael Porter já deixou claro:

Estratégia é fazer escolhas difíceis.
Escolher o que fazer e, principalmente, o que NÃO fazer.

Mas não basta definir uma boa estratégia. O verdadeiro desafio está em executá-la com disciplina, por meio de:

  • ✅ Gestão estruturada de portfólio
  • ✅ Governança de projetos
  • ✅ Arquitetura organizacional que sustente (e não sabote) a entrega

E sem accountability cristalina, tudo trava.

Papéis mal definidos geram reuniões intermináveis, decisões lentas e projetos que nunca saem do lugar. A matriz RASCI não é burocracia — é governança.

Por fim, um ponto que muitos líderes ainda resistem a aceitar:

Nem toda estratégia funciona como planejado — e tudo bem.

Henry Mintzberg mostrou que organizações maduras sabem equilibrar:

  • ✅ Estratégia deliberada (planejada)
  • ✅ Estratégia emergente (aprendida na prática)

Adaptar o rumo não é fraqueza.
É maturidade estratégica.

Vamos explorar as 4 grandes lacunas que impedem a estratégia de virar resultado — e como fechar cada uma delas.


❌ LACUNA 1: AS PESSOAS NÃO SABEM O QUE É ESTRATÉGIA

Michael Porter, em seu artigo seminal “What is Strategy?” (HBR, 1996),

foi cristalino: estratégia NÃO é eficiência operacional. Estratégia é

fazer escolhas diferentes.

Porter define estratégia como:

“A criação de uma posição única e valiosa, envolvendo um conjunto diferente de atividades.”

Estratégia não é sobre fazer as mesmas coisas melhor. É sobre:

  • ✅ Fazer escolhas deliberadas sobre o que fazer — e o que NÃO fazer
  • ✅ Configurar atividades de forma que se reforcem mutuamente
  • ✅ Definir uma posição competitiva sustentável e difícil de imitar

“vamos crescer”, “vamos ser melhores” ou “vamos inovar”, você não

tem uma estratégia. Você tem um desejo.

Uma estratégia real responde:

  • Que problema único estamos resolvendo?
  • Para quem estamos resolvendo?
  • O que torna nossa abordagem diferente e valiosa?
  • O que vamos deliberadamente IGNORAR?

Se sua estratégia não envolve escolhas difíceis, não é estratégia — é uma lista de desejos.


❌ LACUNA 2: AS PESSOAS NÃO SABEM O QUE É EXECUÇÃO

Aqui está onde a maioria dos executivos tropeça. Eles acreditam que execução é “fazer acontecer” ou “trabalhar duro”. Errado.

Execução começa com a organização deliberada de equipes para conduzir um portfólio de projetos e programas que, por sua vez, vão entregar a estratégia.

Execução eficaz é uma disciplina que exige:

1. Gestão de Portfólio

  • Traduzir a estratégia em programas estruturados
  • Priorizar projetos alinhados aos objetivos estratégicos
  • Alocar recursos escassos de forma inteligente
  • Eliminar projetos com pouca sinergia

2. Governança de Projetos

  • Frameworks de gestão de projetos (PMI, PRINCE2, Agile)
  • Dashboards de visibilidade e monitoramento
  • Processos padronizados e repetíveis
  • Gates de aprovação e checkpoints

3. Arquitetura Organizacional

  • Estruturas que suportam a execução (não a impedem)
  • Fluxos de trabalho claros
  • Eliminação de silos disfuncionais
  • Sistemas que tornam o trabalho previsível

A execução não depende de heróis individuais. Depende de SISTEMAS que tornam a entrega consistente e previsível.


❌ LACUNA 3: AS PESSOAS NÃO SABEM O QUE É ACCOUNTABILITY

Accountability não é culpa. Accountability é clareza absoluta sobre quem faz o quê, quando e como. Accountability também inclui Reporting, ou seja, o relato do feito.

A Matriz RASCI: Ferramenta Essencial de Governança para cada atividade, projeto ou decisão, defina:

  • R – Responsible (Responsável): Quem efetivamente executa o trabalho
  • A – Accountable (Autoridade): Quem tem a autoridade final e presta contas (apenas UM por atividade)
  • S – Support (Suporte): Quem fornece recursos ou expertise
  • C – Consulted (Consultado): Quem deve ser consultado antes de decisões (comunicação bidirecional)
  • I – Informed (Informado): Quem deve ser informado após decisões (comunicação unidirecional)

Por que isso importa?

  • Decisões demoram semanas
  • Trabalho fica fragmentado
  • Projetos empacam em “reuniões de alinhamento”
  • As mesmas discussões se repetem infinitamente
  • Ninguém sabe quem pode realmente decidir

A governança da execução começa com clareza brutal sobre papéis e responsabilidades.


❌ LACUNA 4: AS PESSOAS NÃO SABEM O QUE FAZER QUANDO A ESTRATÉGIA DESVIA

Aqui está a verdade que ninguém quer ouvir: nem toda estratégia funciona conforme planejado. E tudo bem.

Henry Mintzberg, em sua pesquisa seminal, mostrou que as estratégias reais das organizações raramente são apenas aquelas deliberadamente planejadas. Elas incluem estratégias emergentes — padrões que emergem da ação, da experimentação e do aprendizado.

A estratégia REALIZADA de uma organização é a soma de ambas.

Mintzberg demonstrou que:

  • Estratégias puramente deliberadas são rígidas demais para ambientes dinâmicos
  • Estratégias puramente emergentes são caóticas demais para criar vantagem sustentável
  • O equilíbrio entre deliberação e emergência define organizações bem-sucedidas

O Que Fazer Quando o Rumo Parece Desviar:

  • Reconheça que desvios podem ser aprendizados, não fracassos
  • Estabeleça checkpoints regulares para avaliar estratégia vs. realidade
  • Crie espaço para experimentação controlada (estratégia emergente intencional)
  • Diferencie entre desvios problemáticos e adaptações inteligentes
  • Documente o que você aprende — isso é estratégia emergente virando deliberada

Adaptar planos não é sinal de fraqueza — é sinal de maturidade estratégica.

Estratégia Deliberada vs. Estratégia Emergente

Estratégia Deliberada:

  • Planejada
  • Top-down
  • Baseada em análise prévia
  • Implementada conforme o plano

Estratégia Emergente:

  • Surge da ação e experimentação
  • Bottom-up ou de oportunidades inesperadas
  • Baseada em aprendizado contínuo
  • Adapta-se à realidade